quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Que transporte público?


Moro no Park Way, aquele próximo ao aeroporto JK. No dia 25/02  eu estava sem carro, mas como tinha que resolver várias coisas na rua, decidi então pegar um ônibus para não perder o dia.
Bom, ao sair de casa estive pensando o quanto Brasília é dependente de carros particulares, segundo dados do IBGE temos aproximadamente 2,6 habitantes por carro, e o quanto é alta a emissão de carbono anual para a atmosfera proveniente de automóveis, de acordo com um estudo da Antaq os carros liberam cerca de 0,75 t/ano de CO2. E entre esses pensamentos veio um que achei super atrativo: “vou parar de usar carro e só vou andar de ônibus ou bicicleta”.

É uma ideia interessante para quem se preocupa com o ambiente em que vive. Fiquei então esperando no ponto de ônibus aquele que passaria as 10h20 direto para o Núcleo Bandeirante. Já marcava 10h40 no meu relógio e nada do ônibus passar. Até que passou o circular do Park Way (que só vai até a entrada do Park Way) e perguntei ao motorista sobre o ônibus do N. Bandeirante, e ele me respondeu com a seguinte frase : “se ele não passou até agora, não vai mais passar hoje”. “Ok”, disse eu e subi no ônibus para depois pegar outro na entrada do bairro.

Fiquei pensando no quanto o transporte público do DF é defasado  Milhares de pessoas precisam dele diariamente e sofrem por ter que pagar caro em passagens, que os levarão em transportes sucateados e ainda em mínima quantidade necessária para atender a toda população brasiliense.

Brasília é a capital do nosso país, então seria mais do que normal ter na capital um transporte público modelo, certo? Mas infelizmente não é o que acontece. Quando comparamos Brasília com outras cidades, observamos que aqui as distâncias são muito longas, mas também observamos que nos outros lugares existe transporte para qualquer canto da cidade. É claro que nesses lugares o transporte público também tem as suas deficiências, mas nada comparado ao déficit que ocorre no DF.

Aquelas pessoas que moram no entorno ou em bairros um pouco mais distantes do centro perdem em média de duas a quatro horas na espera e no transporte até seus empregos (ida  volta) todos os dias (incluo aqui os moradores de bairros nobres também, como Grande Colorado, Park Way, etc). Obviamente essa situação incentiva o consumidor a comprar carros. Por exemplo, é comum vermos uma família com quatro pessoas ter quatro carros na garagem (um para cada indivíduo da casa).

Como podemos fazer uma campanha para incentivar as pessoas a utilizarem o transporte público se não tem o suficiente para a população? O resultado desse déficit é um trânsito cada vez mais caótico com engarrafamentos a perder de vista e pessoas estressadas com a diminuição de uma qualidade de vida.  Para se ter uma noção o metrô do DF atende apenas a população de Taguatinga, Guará, Ceilândia e Samambaia, ele não existe para a população do Gama, Santa Maria, Planaltina, Sobradinho, entre tantos outros bairros do DF. No horário de pico, os vagões se assemelham a latas de sardinhas, situações essas em que vários usuários já passaram mal, pois os vagões são super lotados e não possuem ventilação, ar condicionado, etc.
Aos usuários de outro bairros resta utilizar os ônibus super lotados e sucateados que passam somente de trinta em trinta minutos e até mesmo de hora em hora. Não sou a favor da violência, mas não é à toa que vemos revoltas e protestos violentos como aquele em Santo Antônio do Descoberto, no ano passado. Também não é à toa que vemos tantos transportes piratas funcionando sem qualquer autorização.                    

Dessa maneira fica realmente difícil pensar em um mundo mais verde e menos estressante, já que a opção de não utilizar carros e sim ônibus/metrô é inviabilizado pelo próprio governo do DF, que tenta resolver o problema do trânsito com inúmeras obras super valorizadas e que na verdade não passa de um paliativo haja vista que o número de carros não deixará de aumentar.

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